Tráfico é coisa normal no capitalismo tradicional?

O tráfico de pessoas é uma prática tão desumanizado que, num primeiro momentos, parece contraditória com o mundo civilizado pela modernidade capitalista. Porém, como se trata de redes mundiais, e como dela fazem parte instituições capitalista poderosas e legais, é justo e necessário levantar a dúvida: o tráfico seria coisa normal no capitalismo tradicional?

A exploração nas sociedades atuais

Pode haver maior ou menor intensidade de exploração, mas é própria do sistema produtivo atual a exploração do trabalho e da natureza. Quem possui capital tem poder de apropriar-se de espaço geográfico, de montar sua iniciativa individual com o máximo de tecnologia e de máquinas, tendo já um plano de venda e de suas mercadorias com máximo possível de ganhos; tem poder igualmente para apropriar-se de bens naturais e de matérias primas adequadas ao produto planejado; finalmente, e sempre em vista do sucesso de seu negócio, para contratar os trabalhadores que, em troca de pagamentos financeiros definido em contrato, garantam, com seus conhecimentos, seu trabalho, seu empenho, o crescimento máximo de seus lucros.

Em outras palavras, o sistema produtivo no capitalismo liberal impõe a concorrência entre os que têm como produzir, com o constante crescimento da economia. Desenvolve-se mais, torna-se mais rico e em condições de gerar novas iniciativas e mais lucros quem combina

Em outras palavras, o sistema produtivo no capitalismo liberal impõe a concorrência entre os que têm como produzir, com o constante crescimentos da economia. Desenvolve-se mais, torna-se mais rico e em  condições de gerar novas iniciativas e mais lucro quem combina melhor as relações entre matéria-prima ou bem natural e máquina e tecnologia com trabalho humano. Finalmente, cresce quem consegue realizar todo o seu negócio, vendendo a produção com preços vantajosos.

Para quem assume esta lógica, tudo é valido para a obtenção de lucro e crescimento; os valores e exigências éticas não contam muito. Quem determina o que fazer para manter e expandir seu negocio é o mercado, e ele deve fazer isso – ponto final. Nada de medir responsabilidades sociais ou ecológicas: Tudo isso seria deixar-se levar por critério emocionais e subjetivos. Com esse parâmetro, até o trabalho escravo é utilizado, caso apareça a oportunidade.

No tempo presente, a busca de crescimento econômico sem fim e  com maior velocidade e o aumento de consumo de mercadorias promovidos em todo o mundo têm tudo a ver com o aumento do aquecimento do planeta, com as mudanças climáticas, com o aumento da pobreza e da fome, com a queda do valor do trabalho humano, com o aumento das migrações, com o aumento do número de pessoas desocupadas ou sofrendo no precariado, mesmo quando altamente capacitadas.

Isso só traz vantagens para o capital: há pessoas que, no aperto, se submetem a trabalhar mais com menor remuneração; há pessoas que, com mais facilidade, se deixam envolver com propostas de sucesso rápido, de ganho altos, de enriquecimento. Os produtores ávidos pelo lucro e sem preocupações éticas se  se aproveitam dessas oportunidades. Por isso, no comando das redes de tráfico estão endinheirados poderosos.

No Brasil, representantes do capital lutam contra a proposta de punir proprietários de fazendas ou empresas com a perda da propriedade. O fundamento desta medida está tanto na gravidade do crime contra os direito humanos como no uso da propriedade contra as finalidades expressas na Constituição. Nesses casos, medida justa seria passar a propriedade flagrada às próprias pessoas nela escravizadas. Mas um grupo pretende que essa prática se enquadre como desrespeito às leis trabalhistas.

A corrupção e conivência

É comum a seguinte pergunta: por que as forças de segurança e a Justiça não são mais atentas para identificar os membros dessas redes de tráfico humano?

Mesmo reconhecendo que há muitos juízes que atuam com seriedade, dentro de suas possibilidades, é preciso dar-se conta de que as leis nacionais e internacionais dificultam essa tarefa.

Sociedades capitalistas tendem a ter leis e instituições estais Que garantem a propriedade e a apropriação tanto da natureza como dos conhecimentos e da capacidade de trabalho das pessoas. Dai porque há sempre recursos para mobilizar investigações, prisões, julgamentos e condenação de quem agride, ameaça e rouba o que é privado e porque se alega falta de recurso, pessoal e capacidades para investigar, identificar, prender e julgar quem comete crimes contra a dignidade da pessoa humana. Assim, nenhuma punição efetiva sofrem os proprietários e os operadores das empresas que levam dinheiro ilegal nos paraísos fiscais. A orientação básica é a defesa da propriedade e dos proprietários.

Outro exemplo da prevalência do capital sobre as pessoas é o fato de que, mesmo nos países mais ricos do mundo ocidental, dificilmente as grandes corporações financeiras são responsabilizadas pelas crises que paralisam as economias. A tendência é criminalizar os consumidores, que teriam assumido compromissos que não podem honrar. As saídas para as crises são assentadas sobre corte de direitos sociais assegurados ou na privatização deles, sobre o valor dos salários, do seguro desemprego, das aposentadorias além da privatização das políticas públicas de educação, saúde e previdência.

Proposta interessante é a criação de um catálogo internacional com os donos e operadores das redes de tráfico humano, mas ela ainda não foi realizada. As ações, de caráter repressivo, só acontecem a partir de denúncias, e sabe-se como são lentos os processos e raras as condenações dos responsáveis maiores por elas; em geral, pagam o preço os intermediários, os que, deixando-se corromper em sua ética, assumem tarefas nessas redes em troca de dinheiro.

Para aprofundar pessoalmente e com a comunidade

1. Ficaram claras as causas indicadas no texto?

2. Há outras causas, de modo especial a partir da realidade de sua região?

3. O que se pode fazer para forçar a identificação dos que são responsáveis pelo tráfico de pessoas com o objetivo de aumentar seus lucros?

 

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