A Realidade do Tráfico Humano

O que é Tráfico de Pessoas

A palavra “tráfico” está ligada, para quase todas as pessoas, ao comércio ilegal de drogas e de armas. Trata-se sempre de prática ilegal e imoral. Quem trafica drogas e armas tem como objetivos enriquecer por meio de um comércio que só se mantém e aumenta com o envolvimento de mais pessoas no consumo de drogas e com mais guerras. No caso das armas, há também um mercado que se apresenta como “legal”: produção e venda como se fosse uma mercadoria qualquer, com recolhimento de impostos, taxas de exportação e importação ect. Mesmo assim, vale a pergunta: sendo que o mercado de armas sé se mantém e cresce com a existência de guerras, será correto dizer que pode ser moralmente aceito?

O tráfico que a CF de 2014 quer enfrentar é outro, mais ilegal e imoral do que os demais tráficos. É o tráfico de pessoas. Em vez de drogas e armas, as “mercadorias” traficadas são pessoas humanas. São crianças, compradas e vendidas para famílias ricas; mulheres e homens, iludidos com promessas e em seguida vendidos à prostituição ou submetidos a trabalhos realizados em condições iguais à escravidão. Mais terrível ainda é a situação das pessoas vendidas para serem usadas no comércio de órgãos.

Como em todo tráfico, há mais do que os traficantes; há as pessoas traficadas e há os compradores das pessoas reduzidas a “mercadoria”. Trata-se de atividade que viola a dignidade de pessoas e da sociedade, porque explora as pessoas ao estremo e as deixa sem liberdade. Há crimes que se somam ao do tráfico: retenção de documentos; cárcere; ameaças; violências físicas, psicológicas, patrimoniais, e sexuais; e , muitas vezes, o assassinato.

A realidade do tráfico de pessoas

Muitas vezes o crime do tráfico humano está ligado à migração, de modo especial quando o migrante está na ilegalidade. Na maioria dos casos, a migração está ligada à falta de oportunidades de trabalho e renda em suas regiões de origem, mas aumenta a migração provocada por mudanças climáticas. Ao entrar sem autorização em outros países, os migrantes vivem em condições muito precárias e podem tronar-se candidatos à exploração extrema e à escravidão.

Outro ponto de partida pode estar nas redes especializadas, que prometem vida melhor, ótimas condições de trabalho, alta renda, mas que, com a chegada das pessoas iludidas ao local de destino, as submetem à exploração sexual ou a trabalhos degradantes como forma de pegarem por uma dívida que nunca acaba. Essa atividade envolve principalmente mulheres, mas aumenta o aliciamentos de rapazes. São mantidos em cárcere privado, cercados por seguranças que lhes impedem o mínimo de liberdade.

Com relação às crianças, ou há sequestro ou envolvimento de mães empobrecidas, a quem se paga pra que cedem seus filhos a um mercado de adoções ilegais ou ao mercado de órgãos.

Estudo da OIT (Organização Internacional do trabalho), divulgado em junho de 2012, afirma que o número de pessoas atingidas pelo tráfico humano é de 20,9 milhões. Destes, 1,8 milhão é de países da América Latina e Caribe; nesta região, 3,1 pessoas por mil habitantes são envolvidos nesse crime, superando a média mundial.

Desse total de pessoas traficadas, 78% são usadas em trabalhos forçados, 22% na exploração sexual. 74% dos atingidos  são pessoas adultas e 26% são crianças. 55% são mulheres, e 45% são homens. Em  44% dos casos, a exploração se dá no decorrer da migração, seja dentro do país (15%), seja fora do país (29%) ..  No tráfico para a exploração sexual, 74% dos casos levam a pessoa para fora do país.

No Brasil, as formas de tráfico mais conhecidas são: a exploração que atinge principalmente mulheres, mas também crianças e adolescentes, no mercado do sexo, e a de trabalhadores escravizados em propriedades rurais e em confecções.

Para se ter uma ideia do tamanho dos ganhos conseguidos nesses tipo de tráfico, ele movimenta perto de  23 bilhões de dólares por ano. Perde só para o tráfico de armas e de drogas. Dos 32 bilhões, 85% provêm da exploração sexual.

Para aprofundar pessoalmente e com a comunidade

1. Há casos conhecidos de tráfico humano em sua cidade ou região? Quais as reações das pessoas e das autoridades?

2. Como vocês se sentem diante desse tipo de comércio de pessoas?

3. O que deveria ser feito para que as pessoas não sejam iludidas e traficadas?

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